quinta-feira, 17 de junho de 2010
























Somos simplesmente pessoas que gostam de usar seus corpos como billboards. Uma tatuagem é uma criação poética e sempre mais do que o olho nu pode ver. Quando uma tatuagem é cravada
em pele viva, sua essência produz um prazer único para a condição humana mortal. Tatuar é personalizar o corpo, criar uma verdadeira casa e um templo para o espírito que mora dentro dele. Tatuar então é manter os desejos espirituais e materiais do meu corpo balanceados. A beleza está debaixo da pele, e tatuagens vão até os ossos. Nossos corpos são templos, não é? Mas quanto tempo conseguimos morar em uma casa sem redecorá-la?

Pain for pleasure.


domingo, 13 de junho de 2010

O que você é, parece pote de ouro que caiu na minha cabeça depois de anos de chuva. A recompensa pelos band-aids e a prova de que a vida vale a pena. De agora em diante, os céus permanecerão claros, mesmo quando houver tempestade. A gente espera a chuva passar e no final existe o arco-íris.
De repente todo o passado faz sentido e os monstros criadores de cicatrizes me fazem sorrir e dizer obrigada. Nenhuma casa é construída sem trabalho duro. Às vezes os tijolos nos machucam e caímos no cimento, mas quando tudo passa a estar em seu devido lugar, não há nenhum rastro de razão para dizer que a vida não é bela.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Post Blue (tradução) - Placebo

Está na água baby
Está nas pílulas que te deprimem
Está na água baby
Está na mochila de ouro marrom
Está na água baby
Está na sua freqüência
Está na água baby
Está entre você e eu
Está na água baby
Está nas pílulas que te animam
Está na água baby
Está no jeito especial que transamos
Está na água baby
Está na sua árvore genealógica
Está na água baby
Está entre você e eu

Morda a mão que semeia
Tape a veia que sangra
Desça nos meus joelhos dobrados
Eu quebraria as costas de amor por você
Eu quebraria as costas de amor por você
Eu quebraria as costas de amor por você
Eu quebraria as costas de amor por você

Está na água baby
Está nas pílulas que te deprimem
Está na água baby
Está na mochila de ouro marrom
Está na água baby
Está na sua freqüência
Está na água baby

Morda a mão que semeia
Tape a veia que sangra
Desça nos meus joelhos dobrados
Eu quebraria as costas de amor por você
Eu quebraria as costas de amor por você
Eu quebraria as costas de amor por você
Eu quebraria as costas de amor por você
Eu quebraria as costas de amor por você
Eu quebraria as costas de amor por você
Eu quebraria as costas de amor por você
Eu quebraria as costas de amor por você

domingo, 23 de maio de 2010

Peço desculpas por ser tão "bully" de vez em quando. Os ciumentos são um problema para os outros, mas uma tortura para si mesmos. O ciúme é um sentimento solitário que fica de pé na frente de um monte de rostos de inimigos sorridentes. Eu rio e choro, rio e choro, rio e choro para sempre.
É patológico, I know.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Cada relacionamento é um campo de batalha, até que você se aposenta da guerra. De cada final de guerra que você marcha para casa como um sobrevivente, você traz uma cicatriz e um troféu.

Eu lembro bem de todas as bombas, eu lembro bem de cada minuto de descanso. Eu lembro que antes eu sangrava, todos os dias eu sangrava, e o desejo de morte batia à porta todas as vezes que precisava dar adeus. Todas as vezes que precisava perder, sentia a decepção dos meus colegas de batalha, aqueles dentro da minha cabeça.

Quando consegui sair de dentro desse mundo, tentei tornar-me espectadora. Eu ainda olhava para as cicatrizes de vez em quando e o troféu não me significava muita coisa. Eu tinha perdido e estava reconstruindo sozinha, todos os cantos que ficaram devastados.

Quando pulei dentro de novo, não sangrava tão profundamente, tinha mais resistência. Mesmo assim haviam arranhões e a gritaria ás vezes me ensurdecia. Quando tudo estava bem eu sorria bem grande, e quando não estava, poderia haver sangue alheio. Eu achava que era louca, completamente maluca, enquanto arrancava os cabelos para tentar descobrir o porquê de todos os acontecimentos.

Eu só os descobri depois que essa guerra acabou...

Entrei de novo agora, mas vim de mãos limpas. Não trouxe bombas, armas ou facas. De todas as outras batalhas em que estive, tirei uma lição preciosa; quando te apontarem a arma, entregue uma flor.

Nessa guerra que não é de países e sim a guerra do amor, é a única maneira de vencer. Você descobre que o outro não é seu inimigo e sim sua rocha.

Parece simples, mas não é.

As cicatrizes ainda estão aqui, mas se tornaram parte do meu corpo. Agora vejo que me prepararam para algo maior que estava à caminho e posso dormir em paz.

sábado, 24 de abril de 2010

Sabe quando você está tão feliz que inconscientemente estraga tudo para ficar triste? Só para arranjar problemas? Para ter algo na mente?
Ou quando você está tão triste que enche o saco e fala "vou ser feliz" e liga o foda-se? Pin, pin, pin.
Pois é. Parece que cansei da tranqüilidade, do estado desencanado, de estar dançando de acordo com a música.
Novamente eu quero que a música me carregue. Quero que a música coloque uma coleira no meu pescoço e me arraste. Quero sentir os ossos latejarem, quero explodir de tanto chorar, gritar de felicidade até a garganta inflamar e sangrar.
Quero sentir. Queimar. Arder.
Viver na beira do penhasco, com sentimentos tão agúdos que uma lágrima pode ser o suficente para me derrubar.
Cansei.

domingo, 18 de abril de 2010

Sou transitória, não sou confiável. Gosto de uma idéia, depois não gosto mais. Não posso esperar, precisa ser agora. Se eu pensar demais, vou desistir. Preciso que a passagem seja de última hora. Detesto o preço, mas que se foda. Estou sentada, preciso levantar. Estou de pé, preciso sentar. Coca-cola, vodca, vodca, vodca, vodca. Só o álcool permanece o mesmo. Não te abandono, copo. Te alimento, encosto. Mesmo que guarde meus segredos, me deixe vulnerável e me faça sentir coisas que não tem o menor cabimento. Sou ímpar, azar. Não quero que dependam de mim, não quero que me esperem ou que digam que está na hora. Só é hora quando eu falar que é. Me perco, mas continuo. Os joelhos com sangue, a boca seca. Só faço o que eu quero, não obedeço ninguém. Sem limites, vivo um dia de cada vez. Dou risada de mim mesma, zombo da minha contradição. Sou ridícula, tão encantadora. Não quero dar conselhos, apenas oferecer reflexões. Não sou exemplo, sou anormal. Só tenho conseguido dormir depois que amanhece.
O mundo inteiro acordar e a gente dormir.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Respiro sensações fortes e minha pele pode dar choque. A área sensorial do meu cérebro é ativada e sinto-as, percebo-as. Sou todas as coisas que desejo sentir quando
procuro um outro que encaixe. Meus olhos podem lançar fogo, mas podem ser gelados como grandes, poderosos, icebergs. você poderá escolher o que quer receber e quando
fizer sua esolha, assim será. Poderá também se encontrar dentro deles, eles sempre olham para onde devem olhar e sabem soltar faíscas e fazer hipnose, garanto. Perseguem
cada centímetro daquilo que desejam, sempre. As mãos em seguida tremem para agir, convulsão de desejo. Querem percorrer, toque de seda, querem segurar. Procurar como
se fossem pás, pelo segredo que se esconde; mistério. Nas minhas coxas existem caminhos a serem descobertos e elas se movimentam enquanto escutam de alguma forma, o
que está tocando. Os pelos lentamente se arrepiam um por um. Meu pescoço é picolé; doce, para matar a sede, mas facilmente se derrete. O corpo já tenso segue o rítmo, quer
também virar água e evaporar. Para dentro de uma zona de perigo confortável, onde o cobertor me cobrirá enquanto me entrego, imóvel como um homem morto a espera da
próxima vida.

domingo, 4 de abril de 2010

Eu quero ir embora sempre que tudo está bem. Você não vê que estou um caos? Quero cair e me quebrar. Já cobri todo o meu tempo, quero partir. Se você fode comigo, levo sua mente para bem longe daqui. Não estou qualificada para responder suas perguntas. Se o mundo pode esperar, porque não posso eu? Você não justifica o que faz. Mãos vazias na fila, você está a caminho. Não estou pedindo muito, só saia do meu caminho. Estou nos olhos da tempestade que vai cair hoje. Eu honrei seu pedido de silêncio. Qual parte da nossa história foi inventada na nossa cabeça que só sabe sonhar? Qual parte da nossa memória bebe demais para tentar esquecer? Não conte para os demais, guardaremos isso para nós dois. O fim vem quando o começo sai para beber whisky. Eu não consigo mais me importar com o que vai acontecer. Você se vira quando meus braços estão sucumbindo às sensações incontroláveis. Você aparece quando já estou acostumada e só quero rir. Eu não sei mais o que pensar sobre esta intensidade que conseguiu brincar ne gangorra do parquinho mais enferrujado da história. São páginas escritas de branco. É um paradoxo no qual eu não aguento mais me segurar. É uma noite que não sabe mais quando vai acabar...
Me deixa viver. Me deixa voar.

quinta-feira, 25 de março de 2010

Você diz para si mesma que pode tudo ao mesmo tempo. Que tem braços imensos e costas fortes. Um coração controlável e uma mente moldável. Cria barreiras que chama de espaço mas sabe que pode pular dentro à qualquer hora, deslocando algum osso. E você não suporta se sentir aflita, precisa se sentir em completo e total controle. Por isso você cria linhas, como as do seu rosto, feitas pela maquiagem. Você coloca linhas na sua visão turva, ri muito para sempre estar feliz, ou pelo menos parecer. Você quer o pedaço maior do bolo, o último biscoito do saco. Você quer se sentir protegida, pois ainda é uma menina, mas não consegue pensar em precisar deixar de lado um pouco da liberdade. Às vezes sua liberdade te ilude, você acha que pode mais do que realmente pode. Acredita que todas as garrafas de vinho da mesa não lhe farão mal, pois é muito mais má. Nessas horas você constrói uma capa mágica, vende seu personagem e fala sem parar, sem se deixar vomitar. E isso tudo acontece quando o ritmo está rápido, porém o ritmo também fica devagar. Você então se encontra olhando para fora da janela, sempre busca tudo muito além. Nesses momentos você se lembra da sua fragilidade, que quase sempre está disfarçada por debaixo de todo o seu glamour. Você lembra que não consegue controlar tudo sempre e que sua segurança absoluta é somente uma maneira de fazer com que se sinta bem sobre si mesma. Ela não implica em minuto algum que vai realizar todos os seus desejos. Você quase sempre os consegue, de qualquer forma, e é por isso que é tão mimada. Às vezes você se encontra olhando para o céu e se perguntando se precisa escolher, se precisa mudar, se precisa ser mais consciente e menos sonhadora. Apesar de saber que faz parte da sua essência, existem horas em que você enxerga que precisa parar. Mas quem disse que você consegue? Você vai continuar correndo, enquanto te fizer sorrir. Porque você é absolutamente egocêntrica. E é por isso que escreve sobre si mesma, compulsivamente.

sábado, 20 de março de 2010

Quero provar o seu gosto, minha boca pede mais no grau. Você arrebenta os meus sentidos com o grito do carnal. O desprezo é intenso, provoca e faz delirar. Caio no chão com a cara nos seus pés e pego mais bebida no bar. Fico horas deitada lembrando e não era porra alguma. Só porque gosto de ser tomada, assim dessa maneira nada única. Se não quero dar o coração, simplesmente não preciso. Se quero somente o estremecer dos lençóis, garanto que não teremos problemas explícitos. Não ligo se quer só entrar, porque quero só abrir e depois sair pela porta. Aguento os sonhos de menina porque são somente passatempos, e na real nada disso importa. Na verdade estou criando uma história, inventando um sentimento de plástico zuado. Não ligo também para isso, pois gosto do cheiro de queimado. E se puder ter esse gostinho, de cachorra sedenta e lasciva, atravesso as pontes e fico novamente na mira. Um tiquete para cavalgar o brinquedo, sentir o parafuso na pele em chamas. É completamente vazio e ao mesmo tempo me deixa insana. Pela noite, é que no dia eu realmente não me importo tanto assim. Me contento com minha criatividade e encontro forças para rir de mim.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Nós nascemos das profundezas da contradição. Eu sou preta, você é branco. Eu sou branca, você é preto. Dois opostos feito o amor e a indiferença. Somos foto em negativo em um quarto vermelho. Em um quarto vermelho de sangue, de revelar imagens, de esconder defeitos e modificar a realidade. Somos deuses dentro desse quarto e eu facilmente me entregaria a você se me deixasse revelar uma foto. Um paradoxo tão perfeito que não consegue ser demais, queremos sempre mais. No seus berros silenciosos, encontro meu pranto sincero e desesperado.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Chama-se paralisia dizem, quando você olha em volta e nem acha tanta graça assim. Chama-se tpm, também, talvez, quando seus sentimentos começam a te comer. Você já passou pos isso um milhão de vezes, garota, e você já deu o nome à isso. É o down. Quando está no topo da montanha, é consumida pela tentação frenética do up, de nunca se esconder de qualquer tipo de prazer; simplesmente viver. Nessa fase você se convence de que aprendeu, só porque você acha que já é evoluida pra caralho. Mas você percebe às vezes, quando a euforia diminui, que talvez sempre seja assim, meio inconsenquente. Quer o maior pedaço do bolo, quer provar que tem sempre a razão, que aproveita todos os minutos, que é filósofa e sábia. Porém sabe também que pensa assim porque é um pouco louca. Isso não importa tanto. Você só analisa isso tudo porque está muito chapada, no minuto você só se importa com uma coisa; quer tudo de tudo mas na verdade não quer nada. Precisa encontrar um significado maior de novo, sente-se vasta e invisível como o ar. Quer ser vento e ser levada. Gosta do recomeço e do gosto de história duvidosa, mas sabe que agora não tem como mudar o que outras pessoas já escreveram em seus livros. Quer qualquer tipo de filme emocionante, mas precisa mesmo ter emoção. Está sem interesse e um pouco impotente. Quer mudar alguma coisa, mas não sabe como mudar nada. Se sabe, ainda tem medo. Precisa de uma nova coroa. Senta na frente do computador, escreve para lembrar depois e reza; que venham os ventos novos, por favor, que venham histórias dignas para serem contadas. Os olhos estão ficando pequenos. Desliga a luz e então, amém.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Merda carnavalesca

Quando caminho para o lado errado, sempre acabo me perdendo um pouco. No passado me perdi tantas vezes e não sabia me reerguer. Trevas, escuro e obessessões numa procura constante. A lição mais preciosa que recebi, foi que precisava mesmo atravessar o inferno para passar por ele. A outra coisa importante, já no meu inconsciente desde que nasci, mas somente colocada em prática depois de fortes tombos, é que preciso me amar para poder evoluir. Clichê não é? Todos dizem isso o tempo todo, mas quem sofre sabe que muitas vezes palavras são só palavras. Bolhas de sabão e se dissolvem no ar.
O fato é que precisamos dar tempo ao tempo. Nesse mundo estamos sendo testados, constantemente. Nossa paciência, nossos limites, nossas ações. Tudo reflete, a vida é espelho, e o que fazemos volta para nós. Evoluir não significa deixar de errar, feitos de carne e osso como somos, isso é impossível. Evoluir significa aceitar a dor que às vezes sentimos, deixá-la suar por um tempo como febre, e depois levantar com uma nova lição no bolso. As lições acumuladas geram sabedoria;
Destinguir o que nos fará bem do que nos fará mal. Muitas vezes é difícil, lógico. As coisas ruins podem ter um fator de atração inexplicável. A droga que dá euforia, o homem que vai não se importar, a raiva que só vai causar mal à quem sente, e assim vai. As possibilidades são infinitas.
O que nos faz saber o caminho que temos que seguir? Às vezes a resposta vem como um relâmpago, um estalo de dedos; é somente uma intuição. Não sabemos bem como decifrar, como receber, como incorporar, mas sabemos que sentimos algo diferente. Algo que não podemos exatamente agarrar.
Acredito que se parassemos mais vezes e olhássemos para dentro de nós mesmos, não cometeríamos tantas burradas desnecessárias.
Opa, desnecessárias? Não, retiro o que disse.
Todas as burradas acontecem quando devem acontecer, para nos ensinar alguma coisa. O importante é não cometer o mesmo erro. Se continuarmos fazendo o que sempre fizemos, obviamente teremos o mesmo resultado. Mudanças são necessárias para o nosso bem-estar, por mais dolorosas que sejam, e precisam acontecer dentro de nós mesmos, não nas coisas fora dos nossos corpos.
Caminhos se separam muitas vezes durante a vida, caminhos se separam e eventualmente se encontram.
Aprendi a aceitar as coisas como elas são. Não, isso não significa que paro de correr atrás do que sinto que preciso, e sim que agora sei, que nem tudo acontece na hora que quero. Aprendi que dominar o mundo - o meu mundo - não significa interferir em seu curso, e sim deixá-lo fluir. Se eu não tento mudar as coisas que são como são, aceito-as e me alivio. Se algo realmente estiver no meu caminho, chegará à mim, quando estiver preparado. Depois que evoluir em seu próprio tempo e esbarrar comigo na estrada.
A procura não acaba nunca, há sempre maneiras de evoluir. Basta tomar uma decisão e se agarrar a ela. Decisões são difíceis e às vezes demoram para virar pedra. Mas o caminho mais fácil nunca foi o melhor.
Estar preparado sempre para os dois lados da moeda, deixar de querer encontrar eternidade nas pessoas e na matéria. Aceitar que a vida é êfemera; tudo muda, tudo passa, tudo sempre passará. Não resistir, deixar o tempo ser o tempo, levando as coisas para frente, da maneira que quiser. Na busca da sabedoria estamos sempre adquirindo coisas e no caminho aprendemos que adquirir também é deixar para trás. Todas as mudanças tem sua melancolia, pois tudo que deixamos paratrás é parte de nós mesmos. Precisamos morrer em uma vida, antes de renascer em outra.
Se permitam, recomecem, sempre que precisarem. A próxima página não está escrita ainda.
Sintam-se livres para viver e saibam que para aproveitar a liberdade, precisam aprender primeiro, como se controlar.
Não há nada mais prazeroso do que saber que podemos sempre nos surpreender.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Bipolar


Nem se quisesse, nem se tentasse muito, nem se suasse as estopinhas.
Você não sobreviveria nos meus sapatos altos por um dia,
não aguentaria o calor da minha pele latejante,
a traição das vozes em guerra na minha cabeça,
o medo de viver e o medo de morrer,
a neurose crescente, a paranóia que não se vai.
A insegurança que uiva, o ódio que berra,
as feridas pertubadoras que sangram eternamente.
E por todos esses motivos,
odiaria quando o otimismo branco levantasse o humor,
odiaria se sentir feliz quando a parte 2 do cérebro entrasse em ativa,
aquela que sorri, aquela que canta - o high e não o low.
Que é tão miúda do lado da que joga tinta preta no sol e faz o dia ser tão escuro quanto a noite.


Um momento só, que depois é tomado pela parte 1.


terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Pele vívida


Minha pele é o mapa dos lugares por onde já passei. E eu não quero esconder as marcas, não são negativas, são diário. O que prestou, o que não prestou... tanto faz, sou eu. Estou aprendendo a arte independente de cair sem travesseiro embaixo e, não dói. Qualquer um que me tocar profundamente pode me machucar ou me curar. Qualquer um que eu conquistar a atenção, pode me deixar ou me amar. Um ou outro; simples. Nada machuca, nada surpreende, nada corrói, nada dura. A pele se renova todos os dias. Mas sim, sei que estou viva pra caralho. Entediada, assumo, mas feliz. Sei agora que tudo é. Só é. Fria de pedra, mas mais penetrante do que nunca. Somente os olhos pra fora... quieta... caçando.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Sem título

Sinto que o vento é o mesmo e que talvez seja sua filha. Levada para lugares diferentes, minha alma gosta do caos e do desconhecido. Vejo uma mão aberta e uma fechada. Escolho a fechada pois não sei o que tem dentro. Sou eterna navegante, eterna descobridora. Sinto tudo na pele, agarro os momentos e tento nunca levar a vida muito a sério. Vida eterna camaleoa, com cabelos diferentes sempre, tentando sempre se redescobrir e se reinventar. Gosto da estrada, esperar e conseguir chegar, somente para partir de novo. Exploradora, compulsiva, paranóica. Não tenho muito medo, dou a cara para ser acariciada ou esbofetada. Tenho medo somente dos karmas, mas deixo a vida me levar. Nunca consigo estar somente parada. Gosto do tempo e da nostalgia, gosto do passado e amo o futuro. Todos os passados e todos os futuros. Descubro coisas com o tempo sempre, que precisa demorar um pouco para que eu ganhe experiência. Quero sempre mais do que tenho, do que tive, do que posso ainda ter. A linha do horizonte não existe, posso chegar em qualquer lugar. Tenho tudo que preciso quando realmente preciso e não gosto de sentir espaços vazios. Vejo flores, vejo sangue, vejo o mundo inteiro caminhar. O demônio sensual das tentações pega carona comigo de vez em quando e eventualmente se senta no banco da frente depois de muita vodka. É perigoso, pode virar desastre, mas acima de tudo, me deixa excitada. O prazer é o ingrediente primordial para qualquer movimento meu. Escrava da sensação; barriga estufada de gula, pele tensa de luxúria, cama grande de preguiça, olhos ardentes de ira, maquiagem indefectível de vaidade, malas prontas de orgulho, movimentos bruscos de inveja, mãos gatunas de avareza.
Não posso dizer que não estou vivendo. Sou feliz simplesmente porque acredito que tudo acontece invariavelmente quando e porque deve acontecer.